Você é daqueles que gosta de prender a respiração? De ficar sem respirar por alguns momentos? Acho claustrofobia da hora? Então que tal cu...
Você é daqueles que gosta de prender a respiração? De ficar sem respirar por alguns momentos? Acho claustrofobia da hora? Então que tal curtir alguns filminhos com essa expectativa.
Fazendo as vezes de um cientista / professor de português, o termo claustrofobia (vindo do latim claustrum + o grego phobos) representa o medo ou aversão terrível a lugares fechados. Pessoas que sofrem desta fobia temem, sofrem, choram e tremem se tiverem que entrar em elevadores, ou cubículos que lhe parecem esmagar todo o corpo. A falta de ar começa, e uma sensação de pânico se abate sobre o ser. É realmente estranho pra quem não sente nada disso, mas digamos que aqueles que tem isso não gostam nenhum pouco de serem bullynados por seus medos, e nem mesmo entrarem em tocas, cavernas e coisas do tipo. Saibam que um passeio agradável pra essas pessoas chama-se praia, e nunca uma montanha para procurar cavernas escuras, muito menos nadar em lagoas cheias de frestas e aberturas.
Pois bem, e como qualquer coisa que dê medo, a claustrofobia é um ótimo ambiente para criar um suspense, um tchã nos filmes, não é a toa que muita gente usa esse argumento pra elevar a sua atmosfera de pânico nas alturas. Por isso, escolhemos aqui 5 filmes que levam a claustrofobia a outro nível, fazendo com que você espectador sinta toda a agonia de quem sabe, ficar dentro de um submarino, ser enterrado vivo ou se perder em uma caverna. Saiba que isso é apenas o começo!
ATENÇÃO: Este post é destinado a pessoas curiosas sobre filmes que causam Claustrofobia, então, é desaconselhável pra galera que tem este pavor. Não me responsabilizo por efeitos colaterais gerados tanto por estas curiosidades quanto para a audácia de tentar ver esses filmes. Se quiser continuar daqui em diante, beleza, mas esteja avisado! Prenda a respiração se for capaz.
Número 5: O Iluminado (1980 - Por Stanley Kubrick)

Começamos bem, com um dos filmes de terror mais agraciados do cinema, e vindo de uma das mentes mais perturbadas do século, já que Kubrick, o diretor, tem a fama até hoje de ser um dos mais loucos diretores de todos os tempos. No entanto, a claustrofobia aqui não é sentida como algo fácil, mas está subentendida quando você entende que Jack Torrance (vivido por Jack Nicholson, num dos papéis mais medonhos, no bom sentido que ele já fez), leva sua esposa (vivida por Shelley Duvall) e seu filho Daniel (vivido por Danny Lloyd) pra um hotel que, durante o inverno fica isolado do mundo e de todas as outras coisas da terra. Não existe forma de chegar, nem sair, nada. É tudo enterrado na neve! Mesmo com as considerações dos donos do hotel, informando que coisas estranhas aconteceram com os outros zeladores, Jack fala "não, tranquilão, eu fico". Só que aí, a coisa dá muito errada, ninguém consegue escapar, a planta do hotel muda como se não tivesse planta, e todos nós conhecemos a fatídica cena do "Here is Jack!" com a cabeça de Nicholson entre a porta do banheiro.
Sério, passear pelos corredores do filme é atormentador pra qualquer um. Seja pelas cenas sem sentido algum, como pela trilha sonora - lembrando que silêncio também faz parte da trilha tá bom - é simplesmente um filme muito louco, feito por um cara louco, com atores que realmente beiraram a loucura quando fizeram o filme (dá até pra fazer um 5 mais com os mais loucos). Ou seja, prepare-se pra enlouquecer também se você tiver uma mente bem fraquinha. Não vou contar o final aqui, mas lembrando que é baseado na obra do Stephen King (que falou já mil vezes que odiou do fundo do coraçãozinho a adaptação). Se quer sentir a vibe de pouco em pouco, recomendo começar por este daqui. Além de ser uma obra prima, você ficará com um leve receio de passar um fim de semana, ainda mais um mês quem sabe com o emprego de zelador em qualquer lugar.
Número 4: O Barco - Inferno no Mar (1971 - por Wolfgang Peterson)

Outro filme baseado em livro, desta vez do alemão Lothar-Günther Buchheim, chamado das Boot e que o diretor, Wolfgang Petersen simplesmente ama tretas com mar, já que ele também fez Mar em Fúria (2000) e Poseidon (2006). O problema de O Barco, que na verdade se passa em um submarino, é que inexistem praticamente cenas externas, e sim dentro do submarino. Como, segundo a premissa, os marinheiros foram mandados para a Batalha do Atlântico durante a Segunda Guerra, temos o que esses bravos homens fazem pra sobreviver no meio de uma guerra. E realmente, cada tomada, cada canto que eles passam mostra realmente como é um submarino - no nível asfixiante pra ser mais exato. Aqui, eles brincam com o psicológico da mesma forma que Iluminado, mas sabe como é, imagina estar numa caixa de metal a metros da superfície, pronto pra qualquer momento ser afundado? Não é legal pensar nisso não.
Petersen também pega um ponto bem profundo em seu filme, que é a falta de uma ideologia fixa para guiar tanto espectador quanto personagens. Isso por que no decorrer de qualquer uma das versões (estendida, curta e do diretor) o longa não diz absolutamente nada o que eles devem fazer, por que eles estão ali, afinal, eles são soldados, e tecnicamente devem ser guiados por alguma coisa. Tanto quem assiste quanto os caras dentro do submarino se veem perdidos num lugar que não diz o por que deles estarem ali. Meio que se mistura a claustrofobia física com a mental. Não é tão perturbador quanto o Iluminado, pelo menos pra mim, mas ainda assim entra na lista por que você vai ficar preso dentro de um submarino, e isso pra quem é claustrofóbico nunca vai acontecer, por que nem morto ele entra numa caixa de metal como essa.
Número 3: Abismo do Medo (2005 - de Neil Marshall).

Sério, tenho probleminhas em falar sobre esse filme, por que é realmente muito sofrível, dá falta de ar todo momento. Sério, a partir daqui a situação fica mais difícil de assistir! Isso por que o próprio plot do filme é muito tenso; um grupo de meninas desbravadoras e amigas até que se prove o contrário vão fazer um tour num conjunto de cavernas desconhecidas, tentando descobrir novas áreas e quem sabe nomear as descobertas (favor, nunca fação isso!) Só que dentro daquele ecossistema macabro, somos apresentados a criaturas que comem de tudo, inclusive estripam qualquer um que passam a frente. Tudo bem que a atuação delas não é um ponto forte, mas como aqui não é ranking de atuação, temos as cavernas como o ponto principal. E meu, sem dúvida alguma, ver aquela mulherada se emperrando, tentando escapar por frestas que a câmera quase não consegue pegar é asfixiante demais. Você realmente sente a perda de ar de cada uma. É um dos que mais passam uma sensação de pavor claustrofóbico que eu já vi.
O final, até que tem uma lógica, um gancho para a continuação, que não foi muito boa não. Mas, se for ver esse filme, lembre-se que ele não vai transmitir medo como nós conhecemos nos filmes de terror (monstros, criaturas sobrenaturais ou coisa do tipo), as próprias criaturas não são o grande problema aqui. Claro que ser caçado por canibais é sempre um problema, mas quem ganha destaque são realmente as cavernas. A péssima iluminação, no bom sentido, os lugares fechados farão de Abismo do Medo um filme inesquecível pra aquele seu coleguinha que morre de medo de elevador. Saiba que se você passar isso pra ele, nunca mais o verá na vida, ele te odiará pra todo o sempre.
Número 2: Repulsa ao Sexo (1965 - de Roman Polanski).

Outro diretor muito conhecido no mundo e em todas as décadas, Repulsa ao Sexo faz parte de uma trilogia muito amigável que tem O Bebê de Rosemary e o Inquilino como desfecho de Roman Polanski (ou seja, se prepare!). Nesse clássicos dos clássicos, e preto em branco, vale lembrar, que foi difícil de linkar entre o primeiro e o segundo lugar, temos uma viagem psicodélica pra paranoia completa, perdendo de vez a razão entre o certo e o errado, o moral e o imoral, tudo dentro de um apartamento minúsculo (que na verdade não é minúsculo, mas nos passa a sensação de que é). No enredo, Carol Ledoux (vivida antologicamente por Catherine Deneuve) é uma menina "levemente" perturbada, muito instável e sem uma vida sexual ativa. Até então, mesmo com seus problemas, não haveria de se chegar a loucura, ou não, quem sabe!
O problema é quando isso se junta a desastre no trabalho, o stalker de um cara que se diz apaixonado por ela e a solidão de seu apartamento, já que a irmã que vive com ela, foi viajar e a deixou sozinha. A partir daí meu irmão, a mulher entra num estado profundo de perturbação de todos os cantos possíveis e imaginados, e pouco a pouco, aquele apartamento parece uma caixinha de bizarrices, que você não sabe se é de verdade ou não. Prepare-se pra ver coelhinhos decepados, mão saindo da parede com o intuito de acariciá-la (de forma indevida, vale ressaltar), e uma cena de estupro - que pode ou não pode ser, deixo no ar - que incomoda pra caramba. O Polanksi foi pika das galáxias nesse filme por que ele conseguiu juntar tanto o terror de você ficar em um apartamento sozinho - e as tomadas que ele faz tem a questão de mostrar que você está sozinho, no escuro, num lugar sombrio, pequeno e macabro - com o terror da mente da personagem. Digno de ocupar a medalha de prata, e quiçá a medalha de ouro.
Número 1: Enterrado Vivo (2010 - de Rodrigo Cortés)

Por fim, temos o filme que, mesmo com uma interpretação inferior do que Iluminado ou Repulsa ao Sexo (que convenhamos, são clássicos, e com clássicos não se compete), ele ganha a medalhinha de ouro pelo enredo, de que simplesmente um cara, vivido pelo Ryan Reynolds - e de nome Paul Steven Conroy - acorda dentro de um caixão, enterrado vivo. (Tcharã, taí por que o nome do filme é Enterrado Vivo!). Com ele, apenas um isqueiro e um celular pra tentar sair daquele lugar, ao mesmo tempo que ele não se lembra do por que raios foi parar ali. É passível de sentir arrepios até na nuca quando se pensa; já pensou colega, ser enterrado vivo? Não, não deve ser legal. E a sensação de seguir o personagem, da câmera quase encostando na cara do personagem, da falta de ar que aos poucos vai acontecendo, do desespero inerente com a morte chegando, é angústia na certa.
O diretor, Rodrigo Cortés, espanhol, consegue misturar tanto a claustrofobia quanto o tempo de resgate, num Thriller de suspense, policias, de perseguição, mas que mesmo com essa salada, fica muito, muito bom. Percebe-se inclusive uma pitada de referências consagradas em se fazer suspense, como o gênio Alfred Hitchcock (que dá pra fazer vários tops só com esse cara). Agora, o final desse filme, olha, só vendo mesmo por que não é um twist, uma virada, mas dá a impressão que tem virada e não tem. O fim termina seco, sem dó nem piedade, e talvez por isso tenha impressionado. Aprenda depois desse filme, nunca tente brincar de ser enterrado vivo hein, não faz bem a saúde. Mas... Entretanto... Todavia, se você está a fim de perder a respiração, se segurar na poltrona, cadeira ou em qualquer lugar, deixe esse daqui como chave de ouro da sua coletânea, acho que você não vai se arrepender.
Ufa! Acho que depois de ser tanto enterrado vivo, atormentado pela própria mente ou se preso dentro de um hotel cheio de almas malignas prontas pra pegar sua família, acho que o Jon Snow pode descansar também não é mesmo?

E então, oque acharam? Tem mais algum filme que acham que poderiam entrar na lista? Tá, eu sei que tem O Cuba, A Cela, Camisa de Força, A Caverna. Poderíamos ficar aqui até amanha falando de todos eles, mas como o top é só de 5, escolhi por livre e espontânea vontade aqueles que, pelo menos pra mim, quando eu os assisti antes de fazer essa coletânea me deixaram com alguns probleminhas respiratórios. Tá, não foram todos, mas os três primeiros, meu deus do céu, só não xingo por que é proibido para a classificação indicativa! Comente e diga, o que você achou?
Fonte pra esse artigo que dá muita falta de ar: Lente Insana e Wikipédia (por que né, tem que saber quem é a galera que faz o filme, não decoro o nome de todo mundo não!).

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