Casa mal assombrada, assassinato a tempos atrás e um grupo de jovens dispostos e buscar respostas do outro lado do além com entidades não ...
Casa mal assombrada, assassinato a tempos atrás e um grupo de jovens dispostos e buscar respostas do outro lado do além com entidades não muito amigáveis. Está aí o enredo mais óbvio possível nos filmes de terror.
Ultimamente, o cinema do terror viu florescer a alvorada de uma nova era com bons filmes, especialmente de um carinha chamado James Wan, e sua franquia Invocação do Mal. Porém... Antes que você fique feliz em saber que vamos falar sobre um desses filmes, lamento destruir as suas expectativas - lembre desse ditado, "nunca crie expectativas, crie porco por que futuramente você vai ter bacon", mas precisamos falar sobre um certo filme que eu vi ontem no Telecine Action, um canal de TV Paga, e que me arrastou até as 1 hora da madrugada e depois de muito analisar, ver, e me irritar na profunda raiva, pensei "que merda eu fiz?" É tão ruim quando um filme faz isso com a gente! Olha, você fica quase em crise existencial, pensando que poderia ter dormido aquelas uma hora e pouca a mais e não precisava retornar do pó com aquelas olheiras tremendas. Mas, como o passado não volta, quem dera se voltasse, é muito importante - do meu ponto de vista - falar sobre essa bomba! Sim, eu já estou dando spoiler da minha opinião sobre A Casa dos Mortos (Demonic em inglês), que foi lançado em 2014 e dirigido por Will Canon. Acho que eu não preciso nem perguntar, seria muito desconexo fazer uma auto pergunta pra saber se é bom... Não, o filme definitivamente não é bom! E você vai entender o por que em cada detalhe. E o primeiro deles é...
O roteiro. Não existe algo que incomode mais (tem outras coisas também) do que esse roteiro. Primeiro, por que diferente de Jurassic World (da qual eu já falei aqui), o longa tem como finalidade assustar, criar uma atmosfera tanto investigativa quanto de medo, e não diversão nem efeitos visuais incríveis como o blockbuster. Então, é claro, precisamos de um roteiro no mínimo "razoavelmente inteligente" pra passar essa sensação. A história de casa assombrada com assassinato em série e um grupo de adolescentes indo investigá-la é manjado? É! Mas ainda assim não é O ponto ruim do filme. Na história, começamos com a investigação do assassinato de jovens que foram investigar uma mansão através de Mark Lewis (Frank Grillo - Uma Noite de Crime 2) e da Doutora Elizabeth Klein (Maria Bello, de Show Bar). O único sobrevivente, o jovem chamado John (Dustin Milligan) fica sendo interrogado pra saber o que aconteceu com o restante do povo. Já tivemos misturas de interrogatório com sobrenatural com Exorcismo de Emily Rose e deu certo, você mantinha os momentos de sustos e entrava na briga do cético em não acreditar e do padre que acreditava nas forças demoníacas. Aqui, em A Casa dos Mortos, tudo é explorada de maneira rasa demais. O investigador corre de um lado pro outro procurando coisas, desvendando pedaços de pistas dentro das câmeras, enquanto a psicóloga se resume a espectadora da história contada por John. Mas a atuação desta alma, do único sobrevivente é tão, mas tão ruim que você já sabe, no meio do filme que algo de muito errado aconteceu com ele. Quando ele fala especialmente de sua namorada / quase esposa, não há demonstração alguma de sentimento, e quando o tem, é tao raso que até uma piscina de criança tem mais água que suas lágrimas.

Junto com essas atuações bem fracas e estereotipadas (o cara que faz tudo pra descobrir o caso, o gênio da tecnologia, a menina bonitinha que sempre é a primeira a bater as botas), não vemos nenhuma surpresa durante todo o roteiro extremamente linear. Quando você sabe que algo aconteceu com o John, mesmo que não saiba exatamente, e assim a sua ficha cai, na metade do filme, o longa até tenta te manter no entusiamo de buscar ainda mais resposta para o caso, mesmo usando de artifício que não botam em medo em ninguém que pelo menos esteja calejado com filmes de terror (e até mesmo a galera que nem mesmo gosta do estilo). Temos uma cena, pra exemplificar tanto a bilogia susto / incongruência, que passa por todo o filme. Jules (personagem vivida por Megan Park, da série The Secret Life of the American Teenager) é arrastada pela casa assombrada pelos cabelos depois que uma parede pega fogo e gentilmente John, o garoto esquisito do filme, diz exatamente tudo o que tinha por detrás da parede, terminando com "tem uma velha atrás de você". Tudo bem, você pode ter tomado até um susto nessa parte, mas pra se chegar aqui, o contexto foi completamente sem nexo; paredes em chamas, o cara querendo assustar todo mundo; não teve vínculo algum... Há, e pra melhorar tudo isso, temos ainda que, depois de ser pega de volta pelos amigos, a doce Jules fala que "Não, não podemos ir embora, temos que ficar, todos falavam da gente e agora temos a prova que precisamos pra mostrar que o sobrenatural existe". MINHA FILHA! Você foi arrastada por uma entidade do inferno por metade da casa e quer ficar? Você pode sair, acabar com isso, mas não, pelo motivo mais banal possível você prefere ficar dentro de casa e ver no que vai dar... É, são escolhas como essas que vemos nesse filme.

Mantendo a temática de te arrastar pra uma visão que não é a verdadeira (na verdade, uma forma deturpada de enxergar a temática de Pânico por exemplo, onde o longa, no decorrer da história te colocava a pensar que alguém era o assassino e bum... Não, não era ele!), A Casa dos Mortos cisma, e cisma mesmo quase uma hora de filme em mostrar que existe um culpado e que ele fugiu. Foi ele o culpado por tudo, o maligno dentre todos. Mas, se você sacou o plot twist final sem ele acontecer, sabe que nada daquilo vai levar a lugar algum. Entenda, existe uma diferença entre você criar toda uma lógica e descontrui-la quando chegar no final (o que de fato te faz ficar de queixo caído "wow, que isso meu deus!") mas aqui é como se alguém te pegasse pelo cabelo e arrastasse pela rua, mantendo o ritmo que no fim não vai dar pra levar em nada. Até mesmo o estilo pseudo found-footage (parte do filme é feito como se os garotos tivessem filmados as tretas que aconteceram com eles), que dá a impressão de assustar mais, ou passar uma sensação de suspense não cola. A investigação é risível e também didática demais, sendo que todos os diálogos levam ao cúmulo de mostrar todos os passos da tchurminha de investigação. Não se afobe se você pensar que é uma Malhação com uma casa mal assombrada e que uma galera dessa vai sair morta antes do fim do filme; é mais ou menos isso. Não temos uma mensagem singela para ser deixada para os filhos ou netos (e nem sei se isso era a vontade deles), mas, fica a dica já batida novecentas e noventa e nove vezes: nunca use símbolos que você não sabe o que é pra invocar espíritos malignos que mataram outros e que fica dentro de uma casa assustadora, isso não dá, e acho que pra chegar nesse nível, o clichê já se torna mais prejuízo do que um alívio, ou uma entrada pra algo que vá acontecer e que assuste.

Lembra quando eu falei de James Wan, o diretor infalível de Invocação do Mal? Então, ele é o roteirista desse filme. Simplesmente chocado como Wan pode ter seu dedinho no meio e sair uma coisa medíocre como essa. Acho que nem sempre se acerta! Quando se faz uma comparação com a reviravolta de Jogos Mortais ou toda a atmosfera de terror em Invocação, você perceber que o que liga John - o carinha sem reação alguma - aquela casa é que sua mãe foi a única sobrevivente do primeiro assassinato é muito simplório pra fazer qualquer tipo de gancho, ainda mais depois dos rituais pra invocação dos espíritos da casa (essa ligação não vai fazer sentido nenhum quando o filme acabar, tenha certeza!). Há ainda a ideia de colocar corvos, ou pássaros pretos como símbolos demoníacos, diferente das mariposas de Possessão e Mama. Nisso, acho que não há mudança representativa, esses bicho são feios e fazem o papel de sustos pontuais, assim como os poucos que temos nas câmeras found footage e outros aleatórios, que não devia estar ali, mas estão, então acabam assustando. No fim, o roteiro bem rasinho - casa mal assombrada, assassinato, único sobrevivente que estraga todo o roteiro com a atuação e o comportamento linear dos investigadores - tornam o filme algo que eu, sinceramente não recomendaria pra ser visto depois da meia noite. Isso por que eu prezo muito as horas de sono, e acho que nesse caso, você não perderia muito não. Se tiver curiosidade e notar alguma coisa, grave, mas não alugue (não gaste seu dinheiro, sério!), o plot twist final não funciona na maneira como devia. Daí, quando você tiver com aquele tempo livre e nada pra fazer, aí sim você pode ver esse filme.
Nota: 04 de 10 (Trama super rasa, usa momentos clichês de maneira que você se sente numa novela juvenil com um toque de terror. Atuações decepcionantes dos personagens que deveriam dar o "toque" de sentimentalismo e por isso, o roteiro é estragado no meio do filme). Se você não viu, não se preocupe com nada, não perdeu muita coisa não!

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